Vamos falar de viagem e acessibilidade?

Vamos falar de viagem e acessibilidade?

Por Dolores Affonso

Saudações, Viajantes!
Sou Dolores Affonso, deficiente visual com baixa visão, e recentemente me aventurei num mestrado fora do Brasil. Sei que vão pensar: mas por que essa louca quis sair do Brasil para cursar mestrado com tantos por aqui? Bom, a verdade é que aqui no Brasil há muitas barreiras, desde o tempo de dedicação que me impediria de continuar trabalhando, pois seria dedicação total até aqueles que se tornariam inviáveis pelo deslocamento duas vezes por semana para outras cidades. Além de tudo isso, entra a questão da acessibilidade quase inexistente nos programas de mestrado brasileiros. E quando falo em acessibilidade, não estou falando só de rampas ou mobilidade urbana, mas de tudo, materiais e ambientes virtuais de aprendizagem acessíveis, capacitação dos professores para atuarem na diversidade, tecnologias e ferramentas assistivas e de apoio etc.

dolores4bDepois de muitas pesquisas, encontrei diversos programas de mestrado muito interessantes pelo mundo, mas descartei os dos EUA, Inglaterra e Canadá, tendo em vista que meu Inglês está bem longe de passar num teste de proficiência. Hehe Pensei, então, em ir para algum país da América Latina que oferecem excelentes programas de mestrado, mas aí entrariam duas questões: a língua, que apesar de ser mais fácil para mim do que o inglês, ainda seria uma barreira e a questão dos problemas de revalidação e reconhecimento dos diplomas no Brasil. Optei, então, por Portugal, um país com projetos em comum com o Brasil, uma história entrelaçada e sem barreira de língua. Além de tudo, era na Europa e, com certeza, teria acessibilidade, menos preconceito e, é claro, poderia viajar e conhecer novos lugares. Mas vejam vocês… menos preconceito? Mais acessibilidade? Professores mais preparados para lidar com a diversidade? Ledo engano!
Bom, mas este é um assunto para outro dia!

dolores2
Quero dizer que os problemas de acessibilidade começaram aqui no Brasil mesmo. Já na preparação para a viagem! A falta de acessibilidade dos sites de venda de passagens, dos hotéis, dos aplicativos de viagem etc. Uma pessoa com deficiência visual ou motora que precisa usar leitores de tela, navegação pelo teclado, aumento de fontes, alto contraste, ou uma pessoa surda que precisa de tradução em Libras, pessoas com outras deficiências e necessidades especiais que necessitam de outras formas de acessibilidade na web e nos dispositivos encontram enormes barreiras, pois a grande maioria dos aplicativos e sites não possuem os quesitos mínimos de acessibilidade aos viajantes e usuários com deficiência.
O mundo não foi pensado para as pessoas com deficiência e, apesar de muitas melhorias, as barreiras ainda são muitas na web, nas cidades, nos aeroportos, nos transportes, na comunicação e por aí vai!

dolores3
Pensem, viajantes, numa pessoa perdida, era eu! Mas logo me encontrei e, nesta coluna, aqui no Viagem entre Amigas, contarei as aventuras vividas antes, durante e depois desta viagem!
Vamos falar de acessibilidade na viagem?

Dolores Affonso é Mestranda em Ciência Empresariais pela UFP (Porto/Portugal), graduada em Administração de Empresas, com MBA em Marketing e especialização em Educação Especial e Design Instrucional para EaD. Professora e Consultora na FGV, palestrante e Empreendedora. Diretora e sócia-fundadora da A&A Consultoria, autora de diversas colunas em sites, revistas e idealizadora do Congresso de Acessibilidade (www.congressodeacessibilidade.com).