Uma experiência incrível: vivendo com a família em Gainesville, Flórida!

Uma experiência incrível: vivendo com a família em Gainesville, Flórida!

Lago do Condomínio onde vivemos, em Gainesville. A cidade é recheado de lagos como esse.

 

Meu nome é Flavia, sou casada com Alexandre e mãe do André (9 anos) e Davi (5 anos). Sou engenheira e trabalhei quase 10 anos numa empresa do grupo Siemens, até que a “crise” bateu na nossa porta e fui demitida. Foi a deixa para eu mudar de vida e como tínhamos algumas reservas e o marido segurou a onda, decidi voltar a estudar. Fiz a inscrição para o Doutorado na minha área de formação e voltei para a sala de aula. No meio do caminho submeti um projeto de pesquisa para o Programa de Doutorado Sanduíche nos EUA e fui aprovada, conseguindo a bolsa que nos trouxe até aqui.

Faz 12 meses que nos mudamos para uma experiência de vida de 1 ano e 4 meses nos EUA, na cidade de Gainesville, Flórida. É incrível como absolutamente tudo é diferente do que estávamos acostumados. Tem dias em que eu me sinto dentro de um filme teen americano (apesar de já ter passado da idade pra isso…rs). Nossa cidade é universitária, relativamente pequena, linda, encantadora, limpa. As árvores, as paisagens, as ruas, o céu… TUDO é incrivelmente surreal. O campus é gigante, têm museu, igrejas, hospitais, uma arena de basquete, campo de baseball, um estádio de futebol americano ENORME pra 90.000 pessoas!

 

Sobre as pessoas, se por um lado elas parecem secas e grosseiras (usa-se muito expressões como “I don’t care”) fruto de um jeito objetivo e sem rodeios de ver as coisas (o que brasileiro não está acostumado…). Por outro lado, são extremamente gentis (como eles dizem, “They know how to appreciate you!”). É admirável o quanto eles elogiam uns aos outros, sem qualquer segunda intenção e sem se sentirem diminuídos por isso. Um dia, eu fui almoçar com meu filho mais velho na escola, e um menino de uns 13 anos virou-se para mim e disse: “I like your hair, your earrings, your necklace, your shirt, your pants and your shoes!”. Foi muito engraçado, porque ele realmente não parava de falar….kkkkkk. E eu respondi “Thank you! And I really like your hair, it is so cool!” Ele tinha um moicano super bacana! E em San Diego, quando viajei para uma conferência, estava no Cheesecake Factory, no bar sozinha, um homem parou do meu lado e disse que minhas botas (sim, minhas botas!) eram lindas e me faziam parecer elegante. Só isso! É gratuito e genuíno mesmo.

 

 

Eles respeitam o espaço do outro, não furam fila, não passam na frente, pedem desculpa o tempo todo. Se você está no transito, na faixa marcada para virar à direita atrás de uns 20 carros, e a faixa do meio está vazia, ninguém muda de faixa pra cortar lá na frente e dar um “jeitinho”.

Mas eles não têm paternalismo, não tem fila de deficiente, não tem ninguém te oferecendo ajuda o tempo todo. No trabalho já me machuquei e, se fosse no Brasil, já teria uns 5 se oferecendo para executar a tarefa por mim. Aqui só ouvi um “Let me know if you need some First Aid”. Pra gente parece estranho, mas aqui é assim, se você pode fazer, faça!

Outra história que eu queria contar é sobre as viagens, as famosas ‘road trips’ que americano tanto ama.

Pôr do sol em Clearwater. Sem dúvida o lugar mais lindo que visitamos. Fica próximo a Tampa e como se trata da orla Oeste, o por do sol no mar é espetacular.

Quando eu comecei a sonhar com a vinda para a Universidade da Flórida, o sonho de consumo era ter um passe anual da Disney! Marido falava que não iria valer a pena. Sabe como é?! Que é caro e a gente ia acabar não usando muito. Mas eu comprei e valeu a pena sim!

Moradores da Flórida pagam mais barato e ainda parcelado (coisa que não é comum aqui). Além disso, as estradas são maravilhosas e estamos bem na região central da Florida, ou seja, há mais ou menos 2 horas de carro dos 4 cantos do Estado! Sim, é o paraíso, eu sei! E soma-se ao fato de estarmos aqui “com os dias contados”. Queremos sugar tudo o que pudermos dessa experiência. Então, viajamos todo fim de semana. Vamos para as praias do Leste, do Oeste, para os parques de Orlando e Tampa, cidades históricas! Está sendo maravilhoso e, por incrível que possa parecer, estamos economizando mais e gastando bem menos do que quando morávamos no Brasil. Tudo aqui é muito acessível à todos e você não precisa ser rico para usufruir de coisas que no Brasil seriam só para os mais abastados. E dá-lhe foto no Facebook e o povo achando que ganhamos na Mega Sena e estamos tirando um ano sabático! Kkkk Mas que nada! Trabalho MUITO mais que trabalhei a vida toda e o marido também. E mesmo assim conseguimos aproveitar muito o sonho americano!

E bem, o mais importante de tudo: as crianças já falam inglês fluentemente, assistem filmes, brincam e conversam entre si em inglês. A escola pública do mais velho é excepcional. Eles incentivam as crianças a serem independentes e não chamam os pais para resolver os problemas corriqueiros (sim, ele sofreu bastante bullying no começo por não saber o inglês). Os deveres de casas são poucos, as provas semanais são aplicadas baseadas no conteúdo dado em sala e alunos sequer levam os livros e cadernos (TODOS fornecidos gratuitamente) para casa. O dever de casa inclui LEITURA dos livros emprestados da enorme biblioteca, a qual eles visitam semanalmente. Eles têm aula de artes (que inclui estudar sobre artistas e replicar obras no estilo de cada artista, em argila, quadros, grafite etc.), esportes, música. Têm também: almoço e ônibus para ir e voltar da escola. TUDO gratuito. Ah! Cada aluno tem o seu laptop MAC para usar nas aulas. Os alunos estrangeiros têm 2 horas a mais por dia de reforço em inglês e são incentivados a preparar apresentações para toda a turma, periodicamente. É outro nível de ensino e formação de humanos cultos e aptos ao futuro.

Já com a creche do caçula (que é paga pois ele ainda não tem idade para o Kindergarten, primeiro ano do ensino obrigatório gratuito provido pelo Estado, onde ocorre a alfabetização) nós tivemos alguns problemas.

Por conta da cultura de independência e do “faça você mesmo”, o Davi ainda não sabia fazer o número 2 e se limpar sozinho, e sem falar inglês, acabava fazendo nas calças. A coordenadora já me ligou no trabalho mandando eu ir limpar o meu filho, já mandaram ele de volta só de cueca pois a tia não encontrou a roupa reserva que mandei, já me devolveram a roupa dele com o cocô dentro… No Brasil, a mãe já estaria ameaçando a escola de processo! No começo foi muito difícil com ele, muito mesmo, não sei como não desisti… Mas hoje ele adora a escola e os amigos e pra mim, ouvir aquela vozinha falando TUDO em inglês, e antes de dormir, sussurrando “Mommy, I love you so much!”, não tem preço!!

Orla de St. Augustine. Primeira cidade oficialmente ocupada dos Estados Unidos. Linda e histórica.

Enfim, tínhamos e temos incontáveis objetivos e sonhos, mas o principal deles era proporcionar essa experiência de vida pros meninos ainda pequenos. E está valendo muito a pena!! Agora o novo sonho de consumo é mudar pra cá de “mala e cuia” e comprar um ‘motor home’ pra viver com o pé na estrada e desvendar além das fronteiras da Flórida…

JJ Finley Elementary School. Escola que oferece o programa de Inglês como segunda língua para os filhos de estudantes estrangeiros da UF.