A Ilha do Governador me faz bem.

A Ilha do Governador me faz bem.

PorClarissaBravo

Vista do alto das Pitangueiras, o bairro, a Baia da Guanabara e a cidade do Rio ao fundo. Foto: Carlos Garcia Rodrigues
Vista do alto das Pitangueiras, o bairro, a Baia da Guanabara e a cidade do Rio ao fundo. Foto: Carlos Garcia Rodrigues

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão

Tom Jobim, Samba do Avião, 1963

As pessoas em geral têm uma ideia que as belezas e os encantos do Rio de Janeiro se concentram no perímetro Zona Sul-Centro-Barra da Tijuca. E de fato são regiões da cidade que trazem excelentes opções de diversão, exuberância e cultura. Em todos os blogs de viagem que eu acompanho, as praias de Copacabana e Ipanema estão sempre lindas, cheias, o Morro Dois Irmãos, em todos os estágios do dia, está sempre ‘bem na foto’. Sem contar as ruas centenárias do Centro, os centros culturais, o museus, o Teatro Municipal, os Arcos da Lapa e a Baía da Guanabara vista do Aterro do Flamengo.

Fim de tarde gostoso. Orla da Praia da Bica, primavera de 2016. Foto: Clarissa Bravo
Fim de tarde gostoso. Orla da Praia da Bica, primavera de 2016. Foto: Clarissa Bravo
Capela Imperial Imaculada Conceição, Praça Jerusalém, Jardim Guanabara. Foto: Clarissa Bravo
Capela Imperial Imaculada Conceição, Praça Jerusalém, Jardim Guanabara. Foto: Clarissa Bravo

Nesse post eu gostaria de oferecer um novo olhar sobre um bairro que conquistou o meu coração alguns anos atrás e tornou-se meu lar: a Ilha do Governador. É um bairro charmoso com ares de cidade pequena e que tem lá seus problemas, típicos da cidade do Rio Janeiro. Para as pessoas que não são da cidade, o bairro passa desapercebido, apenas com a referência do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o velho Galeão.

A Ilha do Governador é um bairro muito antigo e já foi um dos mais nobres da cidade. Foi achada pelos navegadores portugueses em 1502 e ganhou seu nome atual em 1567, “quando o Governador Geral do então Estado do Brasil, Mem de Sá doou ao seu sobrinho, Salvador Correia de Sá (o Velho), Governador e Capitão-general da Capitania Real do Rio de Janeiro de 1568 a 1572, mais da metade do seu território” (História da Ilha do Governador, 2016).

No século XX, unidades das três forças armadas se instalam no bairro e o aeroporto do Galeão é inaugurado em 1952. O bairro cresceu, ganhando 14 sub-bairros: Bancários, Cacuia, Cocotá, Freguesia, Galeão, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Moneró, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ribeira, Tauá e Zumbi. Temos de tudo um pouco: bares, restaurantes, praias (mesmo que atualmente estejam sem condições de balneabilidade), clubes náuticos, um shopping, cinema, escola de samba (União da Ilha do Governador), hotéis, estádio de futebol (atualmente arrendado ao time do Flamengo), escolas públicas e particulares, universidades, comércio farto, serviços diversos, barcas (ainda que o serviço seja precário) e claro, o aeroporto. Carecemos ainda, de muitas coisas, como um bom teatro, um centro cultural e transporte público mais farto. Mas nada é perfeito nessa vida…

A Ilha é ainda referência para muitos cariocas como espaço de diversão e lazer, musicalidade e qualidade de vida. Quem não se lembra do emblemático samba-enredo ‘É hoje‘, um dos mais conhecidos e regravados da história do Carnaval. A União da Ilha do Governador entrou na Sapucaí levando uma história baseada na obra do cartunista Lan, famoso por retratar a alegria do carnaval. A vista para a Baía da Guanabara também é uma das mais lindas que eu conheço…

Palmeiras Imperiais da Rua Uça, Jardim Guanabara. Foto: Clarissa Bravo
Palmeiras Imperiais da Rua Uça, Jardim Guanabara. Foto: Clarissa Bravo
Praia da Freguesia, primavera de 2016. Foto: Marcelo Freire
Praia da Freguesia, primavera de 2016. Foto: Marcelo Freire
Pôr do Sol, Praia da Bica. Foto: Carlos Garcia Rodrigues
Pôr do Sol, Praia da Bica. Foto: Carlos Garcia Rodrigues

Não poderia ser mais feliz num bairro que é a cara do Rio de Janeiro e que traz o aconchego e o bairrismo de uma cidade pequena. Não sou insulana de nascença, mas sou de coração.

Te amo, Ilha do Governador!

 

 

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